Um dia desses resolvi andar de bicicleta, era final de tarde e o pôr do sol estava irresistível. Após uma boa pedalada fiz uma pausa para tomar um delicioso caldo de cana. Tudo que eu podia pensar é que são justamente as coisas simples da vida que dão um gosto especial para ela... Lá estava eu entre devaneios quando um casal chegou à barraquinha do caldo de cana na maior tensão, buscando por algo bem doce para driblar o gosto amargo da situação.
Enquanto a moça afirmava que queria romper o noivado de dois anos, o seu parceiro perguntava, entre lágrimas, o motivo. Ela repetia angustiada que sentia medo de assumir um casamento com apenas 26 anos. Eu fiquei atônita e muito triste pelo sofrimento de ambos, peguei a minha bicicleta e saí de perto para evitar maiores constrangimentos. O que pensar de uma situação como essa? Por que o medo de assumir relacionamentos sérios é uma realidade cada dia maior? Entre uma pedalada e outra lembrei de duas histórias parecidas com a daquele casal e vou contá-las a você.
Enquanto a moça afirmava que queria romper o noivado de dois anos, o seu parceiro perguntava, entre lágrimas, o motivo. Ela repetia angustiada que sentia medo de assumir um casamento com apenas 26 anos. Eu fiquei atônita e muito triste pelo sofrimento de ambos, peguei a minha bicicleta e saí de perto para evitar maiores constrangimentos. O que pensar de uma situação como essa? Por que o medo de assumir relacionamentos sérios é uma realidade cada dia maior? Entre uma pedalada e outra lembrei de duas histórias parecidas com a daquele casal e vou contá-las a você.
Allison era extremamente apaixonado por Amanda, conheceram-se aos 17 anos e namoraram durante 10 anos. Cansada da falta de iniciativa do namorado ela deu um xeque-mate nele: “Casamos agora ou ficamos por aqui!” Diante da postura dela ele recuou, preferiu mudar-se para a França onde faria o seu doutorado durante quatro anos. Decepcionada, Amanda casou com o primeiro rapaz que namorou depois de Allison, acreditou que dessa forma seria mais fácil esquecer o que sentia. Ela teve um filho com o marido, fez mestrado, construiu uma sólida carreira e após nove anos de casamento se separou. Alisson, que já estava no Brasil há alguns anos, não havia casado, mas sempre monitorou os passos da ex-namorada. Ao saber da separação não perdeu tempo, foi atrás daquela que ele sabia ser a mulher da sua vida. Atualmente estão casados há onze anos.
Miguel amava Priscilla que não queria saber de um relacionamento sério. Executiva por profissão e ‘baladeira’ por opção, casar aos 26 anos era uma espécie de suicídio. Miguel tentou convencê-la de todas as formas possíveis, mas não deu certo. Priscilla preferiu conhecer o mundo, viajou, divertiu-se, porém nunca conseguiu ser feliz no amor. Um dia, aos 35 anos, tomou coragem e foi procurar por Miguel, somente nesse dia soube que ele havia falecido de câncer há um ano. A família contou que Miguel não havia casado e ainda alimentava fortes esperanças de que ela o procurasse para reatar.
Allison e Amanda brindam à segunda oportunidade que agarraram vorazmente, sabem que nem sempre a felicidade bate na porta com os mesmos ventos. Hoje festejam o amadurecimento que adquiriram com a vida e valorizam muito o amor que sentem um pelo outro. Priscilla amarga o sentimento não vivido.
Duas histórias de amor, dois desfechos completamente diferentes! Ninguém tem como saber qual o melhor caminho a tomar, mas em ambos os casos ouvi a mesma expressão das pessoas envolvidas: Eu não deveria ter deixado o meu medo e muito menos o meu egoísmo assumirem o comando da minha escolha.
Ninguém deve casar na dúvida, ter filhos para salvar um casamento ou casar com a primeira pessoa que aparece para esquecer outra. Isso seria como tomar um antialérgico para dor de estômago, além de não resolver o problema desencadeia outros sintomas. Agora, deixar de assumir um relacionamento por medo também é tomar o remédio errado.
As pessoas estão muito focadas em si mesmas, embriagadas pelos narcisos que desabrocham em seus sonhos excessivamente individualistas. Nessa equação não existe espaço para denominador comum e os relacionamentos são vistos como impedimento para o próprio crescimento, quando na verdade deveria ser o oposto. O amor deveria ser o combustível, a força e a energia para o crescimento do homem e da mulher.
Acredito que o amor não se meça em anos, como se ele tivesse prazo de validade. O problema não está no tempo, está na dúvida. Óbvio que mesmo os que amam têm os seus momentos de dúvida, isso é natural e é preciso encarar a situação de frente. O problema está naquele que deseja ter todas as certezas acerca do futuro e se apega somente às dúvidas, isso bloqueia a capacidade de amar verdadeiramente. É justamente essa pitada de insegurança diante da relação que faz a chama da paixão permanecer acesa. Muitos afirmam que a paixão com o tempo vira amor, mas eu afirmo que se o amor perder a paixão, com o tempo, vira apenas amizade. A interdependência de ambos é vital!
Essa semana assisti ao filme “O segredo dos seus olhos”, baseado no livro La pregunta de sus ojos de Eduardo Sacheri, aliás, eu não assisti, mergulhei no enredo, pois a profundidade dele exige isso. Apesar de ser enquadrado como filme policial a história trata das paixões e dos temores que as pessoas carregam dentro de si mesmas. Fica evidente que a covardia não acasala com o amor, elas não procriam. Se você deseja ver o seu amor frutificar acrescente o “A” do “amor” ao “temo”. Ao invés de dizer: Eu temo, diga... Eu teAmo! A obra de Sacheri deixa claro que o amor precisa de coragem para ser vivido.

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